terça-feira, 25 de setembro de 2012

Desta vez, é pra sempre - Marina Alfaya

Intervenção: “Desta vez, é pra sempre” Poética “Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha”. (Trecho da canção “A Flor da Idade” de Chico Buarque) De onde nasce o encanto e onde morre o amor? A leviandade com que romances florescem e murcham poderiam desiludir até os corações mais passionais. Isso, se a contemporaneidade não fosse a geração do efêmero, da troca e do movimento. A renovação que ocorre com o encontro de outro encanto dá fôlego e amnésia em quem já provou ou provocou uma desilusão. A sedução e o envolvimento sobrepõem o receio e a mágoa, criando naturalmente um disfarce para o desamor anterior, antes eterno, numa nova união especial, inesgotável, eterna em seus limites; uma nova ilusão. E sempre se diremos: “Desta vez, é para sempre”. Diante da ampliação da liberdade sexual, poucos são os que padecem na solidão. A casualidade das relações ultrapassa o campo das possibilidades amorosas tradicionais, extrapola a intimidade de somente dois, para o universo de três ou muito mais. Se ampliarmos o que parece ser esse núcleo de relações, nos deparamos com laços muito mais estreitos com pessoas distantes, e também em frias marras com pouca afeição. Vemos então o amor refém de quadrilha emaranhada. Descrição da obra: Painel de linhas de lãs coloridas que percorrem o trajeto amoroso dos personagens Dora, Lia, Léa, Juca, Dito, Rita, Paulo, Pedro, Carlos e filha, identificados cada um por uma cor. As linhas serão enroladas em pregos fixamos aleatoriamente no lado externo da parede de tijolos das salas 14 e 15 de pintura da Escola de Belas Artes. Ao lado do painel estará o título da obra.

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